Irrigação de Orquídeas

janeiro 26, 2017 Orquidário UEL 0 Comments


Gotículas de água sobre orquídea.(Foto: Flickr)

No cultivo de orquídeas, o fator da rega ou irrigação é considerado um dos fatores mais importantes, sendo que é preferível que a planta sofra pela falta do que pelo excesso de água.
Pertencentes à família Orchidaceae, elas são, em sua maioria, de origem tropical - quando encontradas na natureza, as orquídeas crescem em ambientes úmidos com altas temperaturas, recebendo diariamente o orvalho da madrugada, além de chuvas constantes. Suas raízes recebem a proteção de uma deposição de células chamada de velame, que atuam como uma espécie de esponja auxiliando a manutenção da umidade, uma vez que as plantas ficam sobre os troncos de árvores (para melhor aproveitar a luminosidade) as raízes ficam expostas e secam rapidamente, não tendo contato com a água por longos períodos.
Raiz de Dendrobium bronkartii com velame. (Foto: Orquídea sem mistério)

Já quando as orquídeas são domésticas e cultivadas em vasos, elas precisam que a umidade seja suprida em forma de irrigação, o que causa grande dúvida por parte dos orquidófilos. Muitas pessoas, com medo de errar na irrigação, acabam colocando água em excesso, tendo como consequências a mortes das plantas. Isso pode ser explicado, uma vez que no vaso as raízes ficam encharcadas por muito tempo, dependendo principalmente do substrato utilizado, e de sua deterioração, o que favorece o apodrecimento das raízes, além de doenças.
Assim, fica a dúvida da maiorias das pessoas: “quantas vezes por semana devo colocar água na minha orquídea”?  
Não existe uma regra especifica para se seguir no que se refere a frequência de irrigação, pois a necessidade de água da planta depende de alguns fatores como principalmente a capacidade de retenção do substrato, a espécie, além da umidade e temperatura do ambiente. No geral, devemos irrigar com maior frequência em épocas do ano com temperaturas mais elevadas e no inverno as irrigações deve ser mais espaçadas.
O importante é sempre é verificar a condição de umidade no substrato de vaso por vaso, uma vez que em muitos casos o substrato de cada vaso varia. Uma forma de verificar a condição do substrato é utilizando a técnica do palito, que consiste em introduzir um palito de madeira (do tipo churrasco) até o fundo do vaso, deixando-o por alguns minutos. Após sua retirada, deve-se observar se o palito está seco ou úmido. Se o palito estiver seco, significa que os vasos precisam ser irrigados.
Técnica do palito utilizada no vaso de orquídea (Foto: Reprodução)

Outra dúvida muito comum é a quantidade de água, que deve ser colocado em cada vaso. Quando for o momento certo da irrigação, continuar com quantidades abundantes, visto que quanto mais lenta for a irrigação, maior quantidade de água fica armazenada no substrato. 
Não se preocupe se a água escorrer pelos drenos (buraquinhos ao fundo) do vaso. Isso é importante para que a salinidade do substrato seja controlada, já que o substrato é lavado.
A forma mais adequada de se realizar a irrigação é imergir o vaso na água: ao pegar um balde com água, coloque o vaso dentro. 
Tome cuidado para não deixar afundar muito, de maneira que o substrato saia do vaso. Deixe o vaso por alguns minutos até que o substrato possa reter umidade. Após alguns minutos, retire o vaso e deixe drenando o excesso de água. 
Quando a irrigação for feita por mangueira, regador ou até mesmo canecas, deve-se observar se a água não corre por um único local, criando um canal, e o restante do substrato continue seco.
Orquídeas recém-plantadas não devem receber água por 7 a 12 dias (Foto: Arquivo)

As irrigações dos vasos na parte da manhã são as mais recomendadas, pois a temperatura que vai subindo com o passar do dia, possa secar a água que fica acumulada nas folhas e bulbos. Dessa forma o tempo de molhamento das folhas é menor, desfavorecendo o ataque de fungos e bactérias. 
É importante lembrar de evitar jogar água nas folhas, pseudobulbos e flores. A irrigação deve ser direcionada exclusivamente ao substrato. Durante a floração, o cuidado deve ser redobrado, porque o molhamento das flores favorecem fungos e manchas comprometendo a qualidade e a durabilidade das flores.
 A irrigação deve ser direcionada exclusivamente ao substrato. (Foto: Flickr)

Em relação aos vasos, é importante observar se os mesmos apresentam furos para a drenagem. 
A irrigação de vasos sem drenagem há o acumulo da água junto à raiz, favorecendo seu apodrecimento. Se possuir um vaso sem furos em casa, deve ser realizado furos ou a substituição do vaso por um que contenha esse artificio de drenagem. Outra dica importante é sempre observar o substrato quando comprar um vaso, verificarse o material que veio no vaso esta adequado para o cultivo, e se é necessário realizar a substituição  do material imediatamente.
Tipos de substrato (Foto: Reprodução)

As orquídeas epífitas crescem em substratos bem arejados. Antigamente o xaxim era amplamente utilizado no cultivo. Hoje, com sua utilização proibida, é substituída por principalmente casca de pinus, carvão vegetal e musgo (sfagnum). Esses materiais são utilizados sozinhos ou em mistura, dependendo do tipo de irrigação e da espécie que será plantada.


**Texto com a colaboração do aluno de doutorado do curso de agronomia, Guilherme Augusto Cito Alves, que trabalha com linhas de pesquisas no Orquidário UEL



Fonte: Orquídea Sem Mistério
            Flickr


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